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Dependência e Apego

BRUNA SANTORO MILANI | CRP 06/126178
Psicóloga (PUC-SP)

Personalidade Dependente, você já ouviu falar? Vamos primeiro entender como funciona este tipo de personalidade.
De acordo com a Psicóloga especialista em Terapia Cognitiva-Comportamental, Cleunice Paez, “Pessoas com característica de dependência afetiva se tornam propensas a serem reféns das vontades dos outros. Precisam constantemente de afirmação para tomar uma decisão, e estão sempre a mercê de agradar e se submeter.” (sic).
A psicóloga acrescenta que a dependência pode desencadear quadros de depressão, fobias e pânico, pois o indivíduo se encontra limitado a realizar seus próprios desejos, além de sentir insegurança devido ao receio de ser re-jeitado pelas pessoas, isso o torna propenso ao medo do abandono e do desamparo.
A autoconfiança tem seu potencial rebaixado, pois a pessoa tem dificuldade em conseguir confiar em si e em suas ações, desacredita muitas vezes que tenha talentos e em casos mais severos, desacredita ter um “lugar” na sociedade. Paez afirma que normalmente pessoas com esse perfil costumam buscar ajuda terapêutica devido aos outros sintomas que foram desencadeados pelas frustrações ou quadros de estresse. Essas pessoas são bem mais emotivas e tendem a se criticar, se desvalorizar com afirmações negativas sobre si.

Por conta da vulnerabilidade que a dependência emocional traz, não conseguem “dizer não” e discordar de outros pontos de vista, muito menos elaborar sua própria opinião, geralmente permanece em relacionamentos abusivos ou se colocam em postura submissa, tudo isso para preservar a relação, justamente pelo medo de ficarem sozinhos.
“Permanecer em relacionamento conjugal quando tudo está desmoronado, mostra traços de aceitação daquilo que te machuca, do que não te faz bem, mas você ainda fica porque está enraizada e não consegue tomar decisões para sair do contexto, e não se considera capaz o suficiente para se desvincular e encontrar um relacionamento sadio.” (Paez, 2017).
Precisamos entender que o sentimento de frustração é um sentimento que traz muita dificuldade para a maioria de nós, imagine para um dependente?! Torna-se uma busca sem fim para evitar as dores emocionais, quanta raiva de si e sentimentos de incompetência ficam guardados pelas frustrações que não são realinhadas?
“Pensamentos de que “não darei conta”, “não me enquadro”, sempre consideram que são acometidos por defeitos. Sabemos que quanto mais afirmamos pensamentos negativos, teremos mais tendência a acreditar e reagir conforme o que internalizamos.” (Paez, 2017).
A maior parte dos pensamentos de uma pessoa muito dependente são críticas e disfuncionais, quase sempre trazidos pela emoção. Precisamos buscar manter um equilíbrio entre o lado racional e emocional, isso poderá ajudá-lo em decisões para atender aos seus desejos, seria um bom caminho para a melhora dos quadros de ansiedade e depressão.
Em casos de personalidade dependente, deve-se trabalhar a autoconfiança, deve-se também estimular o potencial criativo inerente a todos e principalmente, deve-se aguçar o tempo para os prazeres individuais – Trabalhar a autonomia e melhora nas decisões é um bom passo para se adequar e aprender a ser resiliente com as frustrações.
Vale ressaltar que estou expondo casos mais severos de dependência, porém existem muitos casos de dependência mais “discreta” e que muitas vezes acabam passando despercebidos por nós, por isso a melhor maneira de descobrir o nível da dependência é buscando auxílio de um terapeuta para ajudar neste processo de alinhamento emocional.

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