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O impacto da separação conjugal na qualidade de vida dos filhos

MONIQUE GISELE GASQUI
CRP 108849/06
Psicóloga Clínica, especializada em Cognitivo-Comportamental

 
Família, no dicionário, é definida como pessoas aparentadas que vivem geralmente na mesma casa; particularmente o pai, a mãe e os filhos; pessoas do mesmo sangue.
Para a psicologia, a família é um sistema. Sendo assim, toda mudança que ocorra em um dos familiares, causa mudança em todos os outros membros da família. Então, a experiência do divórcio, na vida de um casal, afetará, de fato, o equilíbrio de todos que fazem parte do sistema familiar.
Quero dar ênfase aqui de como a atitude e a comunicação dos pais que estão em separação judicial podem influenciar a vida afetiva de seus filhos pequenos e ate adolescentes, mas dependendo de algumas atitudes assumidas pelo casal pode ser facilitado e minimizado o impacto causado pela situação do divórcio na vida da criança.
O divórcio tem uma classificação que são fases vividas no ciclo da vida familiar para que os casais possam se reestabilizar e se desenvolverem.
1ª Fase: Decisão: esta fase é a aceitação do fracasso no casamento.
2ª Fase: Planejamento: aqui lida com a dissolução do sistema familiar, como a custódia dos filhos, o funcionamento da família após o divórcio, entre tantas outras considerações.
3º Fase: Luto: mobiliza o luto pela perda da família originalmente idealizada, a reestruturação do relacionamento conjugal, o realinhamento do parentesco com as famílias envolvidas, a adaptação à vida separada. É uma perda de uma vida a dois, para uma vida solitária.
4ª Fase: Aceitação: abandono de fantasias, recuperação de esperanças, sonhos, expectativas. Superação das raivas, mágoas e culpas. Projetos de novos sonhos e expectativas para um novo futuro.
Essas fases são passageiras, mas uma das implicações mais delicadas do divórcio, diz respeito ao cuidado, responsabilidade e guarda dos filhos.
Na maioria dos casos, sempre ocorre Alienação Parental, que é quando um dos genitores tenta manipular os sentimentos do filho ou criar obstáculos em relação ao outro genitor, impedindo que este exerça seu papel e assuma suas responsabilidades. Em outras palavras, isto nada mais é que um abuso emocional a criança, e as consequências são devastadoras para seu psiquismo, podendo desencadear nelas e nos adolescentes, doenças psicossomáticas, como: depressão, ansiedade, nervosismo, irritabilidade, instabilidade emocional, entre outras manifestações.
Filhos de casais separados sofrem mais de depressão e apresentam maior dificuldade no aprendizado, segundo pesquisas. Só de ter a imagem negativa do casamento, frustrado, leva muitos a fazer péssimas escolhas de parceiros ou a fugir de compromissos, tendo dificuldade também em lidar com seus sentimentos e traduzi-los na construção de uma vida a dois. Isto não quer dizer que eles não valorizam o amor, a fidelidade e o companheirismo, só que traumatizados com a experiência dos pais, muitos escolhem viverem sozinhos.
Quando o divórcio acontece, a criança possui o sentimento do abandono e podem ter dificuldade em estabelecer relações de confiança e de maior intimidade com outras pessoas, ocorrem problemas no sono e na alimentação, se sentem culpados, por sentirem forçados pelos pais a escolherem um lado e desenvolve o conflito da lealdade, se sentem impotentes na vida afetiva, tem uma redução na autoestima, entre outros fatores negativos para a qualidade de vida do filho.
As consequências e o impacto do divórcio nas crianças de seis a oito anos são mais profundos, pois são mais crescidas e demonstram sentimentos de responsabilidade, tristeza e saudade do genitor que partiu de casa.
Por mais que os pais tentem preservar o máximo seus filhos dos sofrimentos causados pela separação, o desgaste do divórcio, inevitavelmente, provoca sentimentos de desproteção, tristeza e angustia.
O ideal seria se os pais repensassem, conversassem se é isso mesmo que querem para suas vidas, se é o melhor para todos, procurar uma ajuda psicológica para tentarem reatarem ou então se divorciassem em etapas, lentamente, para o impacto ser menor na criança e terem muito diálogo com o filho, pois as consequências são muitas como foi dito acima tanto para a criança como para o adolescente.

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