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24 de setembro – Urupês, 88 anos!

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Ilustração Igreja Matriz de São Lourenço: FLÁVIO LUIZ PEREIRA

Terra de gente destemida!

 

 

O final do século 1880/90 caracterizou-se por ser um tempo extremamente difícil. Como se não bastassem as dificuldades impostas pelos poucos recursos, de comunicação e transporte, por exemplo, o Interior paulista, principalmente, era tomado por muitas epidemias. Estes surtos obrigavam comunidades de vilarejos inteiros migrarem em busca de terras férteis e seguras, longe dos males que vitimavam, às vezes, toda uma família.
Foi neste cenário que impelidos pela necessidade de sobrevivência que um destemido grupo de homens, liderados por figuras como Inocêncio de Assis, João Cearense, Manoel Correia e João Pereira, em incansável atividade com suas foices e machados, desbravam mata afora, até que após dias e noites de muitas adversidade, rigor e cansaço dentro de uma região selvagem, chegaram a uma visível riqueza natural, de terra inigualável. Foi neste momento que um dos pioneiros que aqui chegaram, vendo tamanho esforço ser recompensado pela descoberta de uma série de oásis, desabafou em alto brado: – Êta Mundo Novo! Assim originava-se o nome do lugar que somente mais tarde, na década de 1940, ganharia o nome atual de Urupês.
Antes da alteração do nome pelo qual todos nós conhecemos o município, episódios importantes aconteceram e hoje fazem parte da história de um povo lutador. Ainda em 1913, por exemplo, rumaram para cá, motivados pela informação de boas terras para cultivo, Domingos Logulo, João da Lata, Francisco Moreira de Freitas, Orestes da Silva Rosa, Francisco Caetano de Souza, João Lisboa, Joaquim Mateus Neves, José Quaresma, Joaquim Gonçalves, Antonio e Virgílio Domingos Jeronimo, todos acompanhados de suas famílias, com o intuito de plantar café.
A pujança desses primeiros habitantes fez com que, em 1914, fosse celebrada a primeira missa por um jesuíta pertencente ao bispado de São Carlos. Nascia São Lourenço do Mundo Novo, cujo nome se deu de uma associação de idéias que refletia uma homenagem ao então falecido Lourenço Cardoso e o louvor ao santo de mesmo nome, do qual os fundadores eram devotos.
O passo para se tornar um lugar independente, inclusive livre de uma subordinação política à Itajobi, foi apenas uma questão de tempo. Já em 1923, Mundo Novo era famosa por suas densas plantações de café. O produto de qualidade e sabor insuperáveis, como atestara o Instituto Agronômico de Campinas, alcançou o maior valor no mercado nacional.
Finalmente em 24 de Setembro de 1928, através da Lei Estadual n.º 2286, Mundo Novo se tornou município autônomo, emancipado política e administrativamente. A população, naquela data foi pega de surpresa pela notícia e, segundo relatos históricos, não demorou para que invadisse a praça para festejar ao som da banda municipal, de moda de viola e com dança de catira. Vale ressaltar que Urupês, que por vezes é confundida com a obra homônima de Monteiro Lobato, de próximo conta apenas com o nome. O título do município é uma alusão a uma espécie de cogumelo popularmente conhecido como orelha de pau.

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